Mundo
Liberdade de imprensa no nível mais baixo dos últimos 25 anos
Mais de metade dos países do mundo está numa situação "difícil" ou "muito grave", o que acontece pela primeira vez na história do Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa divulgado esta quinta-feira pela Repórteres Sem Fronteiras (RSF).
Em 25 anos, a "pontuação média de todos os países estudados nunca foi tão baixa", refere o relatório da RSF que aponta o "desenvolvimento de um arsenal legislativo cada vez mais restritivo", ligado sobretudo a políticas de segurança nacional que, desde 2001, "tem corroído o direito à informação, mesmo nas democracias".
O indicador jurídico foi o que mais caiu este ano, revela ainda a associação, "sinal da crescente criminalização do jornalismo”.
Os Estados Unidos desceram sete posições, enquanto vários países da América Latina estão mergulhados numa "espiral de violência e repressão".
O relatório sublinha que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tornou os ataques à imprensa e aos jornalistas "uma prática sistemática", o que levou o país a descer sete posições recuando para o 64º lugar, este ano.
Com sinal positivo, a Noruega ocupa o primeiro lugar do ranking pelo décimo ano consecutivo, enquanto a Eritreia permanece na última posição há três anos.
A Europa Oriental e o Médio Oriente continuam as duas regiões “mais perigosas para jornalistas”. A Rússia permanece “entre os piores países em termos de liberdade de imprensa (172º) mas o Irão ainda está em pior posição (177) entre a "repressão do regime e a guerra travada pelos Estados Unidos e Israel".
Portugal aparece em 10º lugar do ranking, descendo duas posições em relação ao ano passado. "A liberdade de imprensa é sólida em Portugal", assinala o relatório, apesar dos jornalistas serem, por vezes, "ameaçados ou agredidos – física ou verbalmente – por membros ou simpatizantes do partido de extrema-direita Chega" e ainda durante jogos de futebol, alerta a RSF.